Movimentos Sociais no Campo
Estrutura Agrária e Assentamentos
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Objetivo Central
Analisar a história dos movimentos sociais no campo brasileiro, das Ligas Camponesas ao MST, e o papel dos assentamentos como espaços de resistência.
Definição: padrão de distribuição e gestão das propriedades das terras agrícolas — regime de propriedade fundiária, produção agrícola e serviços complementares.
Configuração histórica:
Conceito (Graziano da Silva, 1980; Veiga, 1991; Kageyama, 1993):
Área que busca entender o campo enquanto ambiente social — formação pública, relações sociais, organização do trabalho, fonte de renda, direito e acesso à terra.
Diferencia-se da questão agrícola, que trata o campo enquanto negócio rural.
É a partir da ausência dos direitos relativos à questão agrária que surgem os movimentos sociais organizados no campo.
O enfrentamento da estrutura agrária patronal surge a partir dos movimentos sociais:
Representam uma força vital na configuração das relações de propriedade de terra, direitos sociais, políticos e econômicos (Abramovay, 2010).
No Brasil, os movimentos sociais rurais focaram primordialmente nas questões agrárias e na reforma agrária, visando fortalecer o trabalho agrário e a agricultura familiar.
Marco histórico na luta pela reforma agrária e contra a precarização do trabalho rural.
1954 — Engenho Galileia, Vitória de Santo Antão (PE):
Após lutas: desapropriação do Engenho Galileia e fundação de núcleos em diversos estados.
Golpe militar de 1964:
Legado: despertar da consciência coletiva no campo — fundamental para a formação de sindicatos, confederações e demais grupos.
A partir da Teoria da Libertação (frentes progressistas da Igreja Católica) surgem:
Papel fundamental:
1961 — 1º Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas:
Criação da CONTAG — Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
1983 — Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Motivos do surgimento (Stedile, 1998):
Atualidade:
Os primeiros movimentos em Sergipe foram movidos principalmente pela CPT e Associação de Educação de Base, dirigidos pela diocese de Propriá (Baixo São Francisco).
Assentamentos conquistados:
Atendimento a mais de 1.000 famílias (Silva e Lopes, 1996).
Os assentamentos Cuiabá e Curituba resultaram da desocupação de aproximadamente 2.000 famílias para construção da Usina Hidroelétrica de Xingó.
1997: Incentivados por MST, CPT, FETASE e outros:
Hoje, esses espaços tornaram-se espaços de formação política e social.
Os movimentos sociais no campo representam uma história de luta por direitos e dignidade:
A compreensão dessa trajetória é fundamental para qualquer profissional de extensão rural.
Obrigado!
Luiz Diego Vidal Santos
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
UFS — Extensão e Sociologia Rural | Aula 07 — Movimentos Sociais no Campo